Desmanchar a autocracia da linguagem
que domina as relações dos eus com os mundos
como um deus que pinta a seu bel-prazer um mesmo quadro
duas vezes belo, duas vezes asfixiante de angústia
hoje a tela é talvez sublime:
um jardim potente de verdes
abraçado ao poste de iluminação um caixote
verde plástico à beira da estrada
é também o pinheiro manso e as folhas das árvores
viçosas nos seus verdes
a relva aparada da estação de comboios
nos seus azulejos lilás, azul e verde-mar
ziguezagueando em matiz esverdeada;
mais ao fundo velhas placas de plástico entre as varandas
na sua geometria verde-escura
e rasgadas por entre o negro das estradas mais além
sobressaem estreitas faixas de erva verde.
verde... verde... verde verde verde. sempre tudo verde.
esteve a chover, é certo;
e no cinzento da tarde há uma fina luminosidade
que pincela os verdes com um tom exuberante.
componho esta fotografia e a cidade semelhasse-me assim –
intemporalmente verde e inanimada.
Saúl Villalobos
Wednesday, March 14, 2007
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