impulso de subirmos a todos os telhados de Lisboa
mas na verdade cairmos aos esgotos por baixo da cidade
erigiremos torres de aço e vidro que lhe recortarão a silhueta à beira-rio
para depois nos ferirmos na aspereza do alcatrão e do sol.
numa trajectória paradoxal e destrutiva
ratificaremos o nosso império de nadas
onde as portas que abrirmos irão estar muradas.
riremos nos espinhos da inveja e no fel do ciúme
mas secretamente regozijar-nos-emos na mesquinhez
fascinados pela refulgência fátua do ego.
e à noite nossos corpos entorpecidos de anestésicos
iniciaremos a sedição com cravos e canapés
e dançaremos até de madrugada
ao despertar do Tejo em dourados e carmins.
Saúl Villalobos
Wednesday, March 14, 2007
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