Wednesday, March 14, 2007

14.

desce sobre os escombros desta carcaça humana
o pó radioactivo de uma guerra de remorsos

deitado sobre a brancura de uma neve de cocaína
num torpor morno de sonho e de esquecimento

os corpos vertem-se em espasmos de sangue
após uma valente surriada de pontos finais

e os olhos soturnos ensombram-se de negro
com uma seringa espetada na veia

segreda-me segredos neste doce coma
que o teu nome já o esqueci

entre o tremular da luz pálida das velas
a tua sombra libidinosa projecta suspiros de desejo

narcotizo as minhas pudicas intenções
e subjugo-te em delírios jaculatórios

poder é a destruição maciça das frágeis relações humanas
mas eu não exaspero no meu silêncio

(no teu sono os meus dedos procuram a tua garganta)

Saúl Villalobos

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