desce sobre os escombros desta carcaça humana
o pó radioactivo de uma guerra de remorsos
deitado sobre a brancura de uma neve de cocaína
num torpor morno de sonho e de esquecimento
os corpos vertem-se em espasmos de sangue
após uma valente surriada de pontos finais
e os olhos soturnos ensombram-se de negro
com uma seringa espetada na veia
segreda-me segredos neste doce coma
que o teu nome já o esqueci
entre o tremular da luz pálida das velas
a tua sombra libidinosa projecta suspiros de desejo
narcotizo as minhas pudicas intenções
e subjugo-te em delírios jaculatórios
poder é a destruição maciça das frágeis relações humanas
mas eu não exaspero no meu silêncio
(no teu sono os meus dedos procuram a tua garganta)
Saúl Villalobos
Wednesday, March 14, 2007
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