Wednesday, March 14, 2007

8.

Asas desconhecidas de aves flutuam
um vale gasoso de cinzentos ameaça desabar sobre elas

em baixo, um guarda-chuva reluzente
sobre ele cai o perfume violeta de preciosas octanas
que omnipresente embriaga tudo em volta –

...[repara, sou eu, estendido na carpete, louco, feliz, a sufocar, o meu corpo apresenta-se-me como se estivesse a deslizar nas alturas, e nos meus olhos rebrilha um fogo intenso e quente, sinto-me o homem mais poderoso do mundo, sou o homem mais poderoso do mundo, louco, feliz, a sufocar, inocente que não sabe que vive aquele momento eternamente, para sempre]...


– a espinha ameaça quebrar-se-me com um surto de dor
tenho um gosto vermelho de sangue na boca e nos lábios
e uma pistola a tremer-me entre as mãos frias

o magnetismo do toque sedoso na pele escameada da víbora que me irá morder
é demasiado intenso. E morde-me:

...[Eis o teu perfume doce de um Inverno lavado por uma manhã primaveril, um campo de flores que me sufoca na sua fragrância, tesouro contido numa caixa de papelão. Eis as lágrimas que vertes para mim, promessa mais sincera de amor não há, e neste momento és minha e eu sou o homem mais poderoso do mundo, eternamente e para sempre]...



Saúl Villalobos

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