qual é a forma subjacente do meu desassossego?
o meu desassossego exala um odor a cânfora
e tem o apelo longínquo de águas profundas;
hesita no armistício frágil entre a carne e o espírito,
de cláusulas ilegíveis e determinações impossíveis,
e sepulta-se no engessar deste coração
numa epístola expressiva e impessoal.
qual é a forma subjacente deste meu desassossego
que peleja no breu inerte do desconhecido,
onde se escapam gritos surdos pelos poros da pele;
ele governa na obtusidade dos sentidos,
mas adormece na íris vítrea de um bêbado.
e perdidos ambos autor e intenção
nestes labirintos urbanos de infinitas leituras
qual é a forma subjacente do meu desassossego?
ele adivinha dispersos grãos de poeira cósmica,
esses átomos que se decompõem no celulóide
e que sobrevivem as exéquias do texto.
Saúl Villalobos
Wednesday, March 14, 2007
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